sábado, 31/10/2026

Dores nas articulações: como distinguir entre menopausa e doenças reumatológicas

A menopausa é um período de profundas transformações na vida da mulher, e as dores nas articulações, músculos e tendões são queixas comuns nessa fase. Essas dores muitas vezes são atribuídas à queda dos…

Compartilhe:

A menopausa é um período de profundas transformações na vida da mulher, e as dores nas articulações, músculos e tendões são queixas comuns nessa fase. Essas dores muitas vezes são atribuídas à queda dos níveis de estrogênio, mas é crucial entender que nem todo desconforto está necessariamente ligado a essa mudança hormonal. Especialistas alertam que, se a dor se torna persistente ou vem acompanhada de inchaço, rigidez prolongada ou fraqueza muscular, é essencial buscar a avaliação de um reumatologista.

Condições como artrite reumatoide, artrose, fibromialgia e polimialgia reumática podem se manifestar ou agravar durante a menopausa, e atribuir todas as dores a alterações hormonais pode atrasar diagnósticos e tratamentos adequados. O reumatologista Valderílio Feijó Azevedo enfatiza que uma avaliação especializada é fundamental para mulheres que enfrentam essas dores, especialmente quando limitam a rotina ou são acompanhadas por sinais inflamatórios.

O conceito de síndrome musculoesquelética da menopausa, embora ainda não amplamente reconhecido, foi proposto para descrever um conjunto de alterações físicas que podem surgir com a redução do estrogênio. O ginecologista Marcelo Luis Steiner observa que essa terminologia ajuda a trazer à tona sintomas que anteriormente não eram diretamente associados à menopausa, destacando a importância de uma abordagem mais holística para o tratamento dessas queixas.

Entre os sinais que indicam a necessidade de uma avaliação reumatológica estão inchaço nas articulações, rigidez matinal prolongada, dor que interrompe o sono e fraqueza muscular. Azevedo alerta que a presença desses sintomas não significa automaticamente que a mulher sofra de uma doença reumatológica, mas aponta a necessidade de investigação para determinar a origem da dor.

A confusão entre dores relacionadas à menopausa e condições reumatológicas é um desafio, especialmente porque muitas mulheres nessa fase também experimentam alterações no sono, o que pode intensificar a sensação de dor. Enquanto as manifestações associadas à menopausa frequentemente não apresentam sinais objetivos de inflamação, doenças como a artrite reumatoide possuem características específicas que facilitam o diagnóstico.

O tratamento para as dores musculoesqueléticas durante a menopausa deve ser personalizado, levando em conta a intensidade dos sintomas e a saúde geral da paciente. A prática regular de exercícios físicos é uma intervenção comprovada para melhorar a saúde musculoesquelética, enquanto uma alimentação equilibrada e cuidados com a saúde mental também são fundamentais. Azevedo ressalta que a terapia hormonal pode ser considerada, mas não deve ser uma solução universal, devendo ser discutida com um ginecologista para avaliar seus riscos e benefícios.

Ignorar as dores na menopausa não é uma opção. Embora sejam comuns, essas queixas não devem ser vistas como parte inevitável dessa fase da vida. A detecção precoce de doenças associadas e a adoção de medidas preventivas podem melhorar significativamente a qualidade de vida das mulheres durante e após a menopausa.

Crédito da imagem: Adobe Stock