sábado, 31/10/2026

Retorno da Magreza Idealizada nas Redes Sociais Acompanham Crescente em Casos de Anorexia e Bulimia

Carol Alves, de 36 anos, é uma nutricionista e estudante de psicologia que se tornou um símbolo involuntário de uma discussão importante sobre padrões de beleza e a pressão estética nas redes sociais. Apesar…

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Carol Alves, de 36 anos, é uma nutricionista e estudante de psicologia que se tornou um símbolo involuntário de uma discussão importante sobre padrões de beleza e a pressão estética nas redes sociais. Apesar de ter um peso saudável e um percentual de gordura considerado normal, ela foi alvo de críticas e ataques nas redes após publicar um vídeo desafiando a noção de que manequins 38 e 40 não correspondem a um corpo magro. Para muitas mulheres que assistiram ao conteúdo, essa realidade a classificava como gorda, levando até a afirmações de que ela estaria em estado de obesidade de grau 1.

O vídeo, que rapidamente se tornou viral, expôs uma preocupação crescente sobre a distorção da imagem corporal, um tema que se torna ainda mais relevante à luz de um estudo recente que revelou um aumento alarmante de casos de anorexia e bulimia em todo o mundo — 71% a mais desde 1990. Isso ocorre em um contexto onde a insatisfação com o próprio corpo tem se intensificado, especialmente entre as mulheres.

Carol, que utiliza suas plataformas para criticar os padrões de beleza impostos, observou uma tendência no TikTok que redefine o que significa ser magra, sugerindo que as mulheres que vestem tamanhos a partir do 38 estão, na verdade, dentro de uma categoria chamada “corpo médio”. Ela questionou essa nova narrativa, lembrando que os tamanhos mais celebrados atualmente, como 34 e 36, geralmente são adequados apenas para mulheres que possuem uma estrutura corporal naturalmente pequena.

Essa discussão não é apenas sobre números, mas sobre a saúde mental e física das mulheres. A nutricionista reconheceu que muitos dos comentários negativos que recebeu revelam uma distorção na percepção corporal que afeta não apenas a ela, mas também suas seguidoras. Muitas delas expressaram preocupação com suas próprias imagens, questionando como seriam vistas se uma mulher considerada “magra” estava sendo chamada de gorda.

A psiquiatra Ana Clara Floresi, especialista em transtornos alimentares, aponta que as redes sociais desempenham um papel significativo na formação e na perpetuação desses padrões. A pressão pela magreza extrema não é nova, mas a maneira como ela se apresenta hoje é diferente. O conteúdo que glorifica corpos ultramagros é constantemente alimentado por algoritmos que entregam esse material a usuários sem que eles precisem procurar.

O estudo sobre transtornos alimentares, que incluía dados de 204 países, evidenciou que a maioria dos casos ocorre em jovens e que a idade de início dos distúrbios alimentares tem diminuído. A exposição precoce a esses padrões pode ser prejudicial, levando a uma relação tóxica com a comida e a própria imagem. A psiquiatra recomenda que crianças sejam mantidas longe das redes até pelo menos os 16 anos e sugere um acompanhamento cuidadoso do que elas acessam.

Além disso, a crescente popularidade de medicamentos para emagrecimento levanta novas preocupações. Aqueles que não têm diagnóstico de obesidade podem utilizá-los de maneira inadequada, colocando sua saúde em risco. O uso desses medicamentos por pessoas que já têm transtornos alimentares pode exacerbar comportamentos prejudiciais e complicar a recuperação.

As consequências dessa pressão estética são visíveis no consultório de Carol, onde ela observa um aumento nos casos de bulimia e anorexia. A insatisfação com o próprio corpo é um fator de risco bem documentado para esses transtornos, e a cultura atual de comparação nas redes sociais só intensifica esse problema.

A luta contra os transtornos alimentares exige um esforço coletivo. Especialistas pedem uma maior integração desse tema nos planos de saúde mental e a criação de mais centros de atendimento especializado. Com as projeções apontando para um aumento contínuo dos casos nos próximos anos, é vital que a sociedade comece a olhar para essas questões de forma mais crítica e empática, promovendo um ambiente onde a saúde e o bem-estar sejam priorizados acima de padrões de beleza irreais.

Crédito da imagem: Nutricionista é chamada de obesa ao dizer que veste 40