sábado, 31/10/2026

Pesquisa brasileira avalia novo tratamento injetável contra HIV com dose trimestral; ativista participa da fase inicial do estudo.

Um estudo inovador no Brasil está testando um tratamento injetável inédito para o HIV, com a possibilidade de aplicação a cada quatro meses. Intitulado CUATRO, o projeto internacional investiga a eficácia de versões de…

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Um estudo inovador no Brasil está testando um tratamento injetável inédito para o HIV, com a possibilidade de aplicação a cada quatro meses. Intitulado CUATRO, o projeto internacional investiga a eficácia de versões de ação ultralonga dos antirretrovirais cabotegravir e rilpivirina.

A pesquisa, atualmente em fase 3, busca entender se a extensão do intervalo entre as injeções pode manter a carga viral do HIV sob controle de maneira segura e eficaz. Com a previsão de envolver cerca de 564 voluntários em várias nações, os primeiros resultados significativos devem ser divulgados antes de 2029.

No Brasil, já são 65 participantes ativos no estudo, com cinco outros em triagem. O infectologista José Valdez Ramalho Madruga, do Centro de Referência e Treinamento (CRT) em DST/Aids de São Paulo, destaca que, apesar do grande interesse, apenas uma fração dos voluntários pôde ser incluída. Entre os participantes está Pisci Bruja, uma antropóloga e ativista que se tornou a primeira voluntária no Brasil a testar essa nova abordagem terapêutica.

Pisci, que se identifica como travesti e vive com HIV, menciona que enquanto sua rotina de tratamento se tornou mais tranquila ao longo dos anos, essa realidade não se aplica a todos. “Tomar uma medicação todos os dias não é uma questão simples, especialmente devido ao estigma. Muitas pessoas fazem isso escondidas e temem as consequências sociais”, afirma ela, apontando que a terapia injetável pode oferecer uma alternativa importante.

Os pesquisadores também estão atentos a outros fatores que podem afetar a adesão ao tratamento, como o esquecimento e as dinâmicas sociais envolvidas na vida de pessoas que vivem com HIV. A administração a cada quatro meses, segundo Madruga, pode facilitar a vida dos pacientes, reduzindo a necessidade de visitas frequentes aos serviços de saúde.

No que diz respeito à metodologia, o CUATRO não é um experimento inteiramente novo para os medicamentos em questão, que já possuem versões de ação prolongada, mas a tentativa de aumentar o intervalo para quatro meses representa um avanço significativo. Cada ciclo de tratamento envolve duas injeções que precisam ser monitoradas de perto por meio de exames regulares.

Embora o SUS ainda não ofereça essas opções de tratamento injetável, as versões de cabotegravir e rilpivirina já foram aprovadas pela Anvisa. A incorporação na rede pública dependerá da avaliação e aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), o que exige tempo e processos burocráticos adicionais.

O estudo é um passo importante em direção à ampliação das opções de tratamento para o HIV, mas os resultados precisam ser interpretados com cautela, pois inicialmente se aplicarão a um grupo específico de pacientes com carga viral já controlada.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — andreas160578 (pixabay)