sábado, 31/10/2026

A complexidade da esquizofrenia: questões genéticas e ambientais explicam diferenças entre irmãos.

Consuelo Walss-Bass, uma bioquímica e geneticista de renome, está prestes a lançar seu livro “Por que a Minha Irmã?” (Allele Books, previsto para 2026), onde narra a dura trajetória de sua família em meio…

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Consuelo Walss-Bass, uma bioquímica e geneticista de renome, está prestes a lançar seu livro “Por que a Minha Irmã?” (Allele Books, previsto para 2026), onde narra a dura trajetória de sua família em meio à esquizofrenia que afetou sua mãe e sua irmã, Paty. O relato, que mistura memórias pessoais e conhecimento científico, surge da inquietação que a autora sentiu durante sua pesquisa de doutorado sobre as causas genéticas do transtorno. A dúvida que a acompanhou por anos foi simples, mas profunda: “Por que minha irmã tem a condição e eu não?”

A interação entre Consuelo e seu pai, que rejeitava a ideia de que a filha poderia herdar a mesma doença que havia devastado sua esposa, ilustra a negação e o medo que cercam as doenças mentais. Para muitos, receber um diagnóstico é como perder um ente querido, e essa dor se torna ainda mais intensa quando a possibilidade de uma nova geração sofrer com a mesma condição se torna real.

Durante uma conversa com a BBC News Mundo, Walss-Bass compartilhou suas reflexões sobre os traumas que marcaram sua infância. A internação de sua mãe, quando Consuelo estava prestes a completar 15 anos, foi um ponto de virada. A ausência da mãe em um momento tão simbólico de sua vida foi um golpe difícil de suportar. A autora descreve como, apesar de não entender plenamente a gravidade da situação, sentiu a dor de ver sua mãe sendo levada para um hospital neurológico, um evento que a separaria do lar e da segurança familiar.

Com o passar dos anos, Consuelo se dedicou a investigar os fatores que contribuem para o desenvolvimento da esquizofrenia. Sua pesquisa aponta que a combinação de genética e ambiente é crucial para o surgimento da doença. A infância de Paty foi marcada pelo trauma da saúde fragilizada da mãe, um fator que, segundo Consuelo, pode ter influenciado o desenvolvimento da esquizofrenia em sua irmã. A autora ressalta a importância de reconhecer os primeiros sintomas e buscar tratamento, especialmente durante a adolescência, uma fase repleta de mudanças e vulnerabilidades.

A luta de Consuelo contra a culpa e a busca por respostas é central em sua narrativa. A convivência com Paty, que passou a viver sob condições difíceis e foi diagnosticada com a doença, trouxe à tona sentimentos de arrependimento e frustração. Com o passar do tempo, no entanto, ela aprendeu que a culpa não deveria ser um fardo a carregar. A autora destacou que muitas famílias enfrentam situações semelhantes, onde as doenças mentais podem levar ao desespero e à incompreensão.

A relação com Paty evoluiu ao longo da última década, especialmente após a decisão de Consuelo de trazê-la para viver em sua casa. O apoio familiar e a criação de uma rotina estruturada foram cruciais para o bem-estar de Paty, que agora participa ativamente de atividades em um centro de convivência. A autora enfatiza que a estabilidade e a rotina são fundamentais para pacientes com esquizofrenia, proporcionando-lhes um senso de segurança em um mundo que muitas vezes é caótico.

Consuelo também reflete sobre os avanços na pesquisa sobre esquizofrenia e expressa otimismo em relação ao futuro. Embora os medicamentos ainda sejam os mesmos de décadas atrás, novas descobertas sobre a genética da doença podem levar a tratamentos mais eficazes. O entendimento mais profundo da esquizofrenia como uma condição biológica, não uma falha de caráter, é um passo importante para reduzir o estigma associado às doenças mentais, algo pelo qual Walss-Bass luta ativamente.

A jornada de Consuelo Walss-Bass é uma poderosa narrativa de resiliência e esperança. Ao compartilhar suas experiências e conhecimentos, ela não apenas busca respostas para sua própria dor, mas também ilumina o caminho para outros que enfrentam desafios semelhantes. Seu livro promete ser não apenas uma reflexão pessoal, mas um chamado à compreensão e à compaixão em torno das doenças mentais.