O vírus Coxsackie, frequentemente associado a sintomas benignos como feridas na boca e manchas nas mãos e pés das crianças, revelou um lado alarmante ao afetar o coração do apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, de 90 anos. Internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ele foi diagnosticado com o Coxsackie tipo 2, que agravou uma insuficiência cardíaca pré-existente, levando à necessidade de um marcapasso.
Desde a semana passada, o estado de Carlos Alberto é monitorado, e a cirurgia para a implantação do marcapasso, inicialmente agendada para segunda-feira (19), foi transferida para terça (20). Segundo a assessoria, o apresentador encontra-se estável e não apresenta complicações. Sua esposa, a médica Renata de Nóbrega, também contraiu o vírus, mas não necessitou de internação.
Os coxsackievírus, parte do grupo dos enterovírus, são amplamente comuns e se dividem em dois grupos: A e B. O grupo A é responsável pela síndrome mão-pé-boca, que atinge principalmente crianças pequenas, enquanto o grupo B está associado a complicações mais severas envolvendo órgãos vitais, como o coração. Apesar da informação disponível sobre a infecção de Carlos Alberto, não está claro a qual grupo o tipo 2 pertence.
Estudos realizados na Itália indicam que cerca de 70% da população já teve contato com esses vírus. Muitas infecções se manifestam de forma leve, como resfriados ou febres passageiras, sem que as pessoas saibam a origem. O contágio ocorre principalmente por meio de fezes e gotículas respiratórias, o que facilita a propagação em ambientes como creches e escolas.
A trajetória do vírus até o coração é complexa. Após entrar pela boca, ele se multiplica no intestino e entra na circulação sanguínea, encontrando células cardíacas que possuem receptores específicos. A infecção pode danificar essas células e, ao ativar a resposta imunológica, provocar inflamação, resultando em miocardite. Esse quadro pode levar a arritmias, como a bradicardia que Carlos Alberto apresenta.
Embora a maioria dos casos de miocardite viral seja temporária, existem relatos de complicações severas que exigem a instalação de marcapassos permanentes. O marcapasso é vital para regular os batimentos cardíacos em situações em que o coração não consegue manter seu ritmo naturalmente.
Grupos mais vulneráveis, como recém-nascidos e pessoas com condições de saúde prévias, correm maior risco de complicações. Sintomas como dor no peito, falta de ar e febre persistente devem ser avaliados imediatamente por um médico. O vírus também apresenta riscos para o pâncreas, levantando questões sobre seu papel no desenvolvimento do diabetes tipo 1.
Infelizmente, não existe antiviral específico para tratar infecções por coxsackievírus, e a prevenção é fundamental. Medidas simples, como a higiene das mãos e a limpeza de superfícies, são essenciais para evitar a propagação. No caso de Carlos Alberto, a infecção agravou uma condição preexistente, e a cirurgia programada é um passo crucial para restaurar a saúde do seu coração.
Crédito da imagem: Reprodução/TV Globo




