A recente aprovação do telisotuzumabe vedotina pela Anvisa, anunciada na última segunda-feira (19), representa um avanço significativo no tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) avançado no Brasil. Com essa decisão, o país se torna o segundo a validar essa terapia, seguindo a aprovação acelerada da FDA nos Estados Unidos.
Desenvolvido pela AbbVie, o telisotuzumabe vedotina, comercializado como Emrelis, é destinado a pacientes adultos que enfrentam a forma não escamosa do CPNPC, localmente avançado ou metastático, e que já passaram por outras linhas de tratamento. A expectativa é que o medicamento esteja disponível no mercado brasileiro até o primeiro semestre de 2027.
O câncer de pulmão continua a ser uma das principais causas de morte por câncer globalmente, com estimativas alarmantes de 2,65 milhões de novos casos e mais de 1,8 milhão de mortes em 2024. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) reportou que a doença resultou em mais de 31 mil óbitos em 2023, com a projeção de mais de 35 mil novos casos anuais entre 2026 e 2028.
A base para a aprovação do telisotuzumabe vedotina foi um estudo clínico de fase 2, denominado LUMINOSITY, que revelou que 34,6% dos pacientes apresentaram redução mensurável dos tumores. No entanto, é importante ressaltar que esse número não indica taxas de cura, mas sim uma resposta ao tratamento.
Dentre os efeitos adversos mais frequentemente relatados estão a neuropatia periférica, fadiga, diminuição do apetite e edema periférico. A AbbVie explica que esta nova terapia é um anticorpo-droga conjugado que atua na proteína c-Met, um receptor que, quando superexpresso, está associado a um prognóstico mais desfavorável em cerca de 25% dos pacientes com CPNPC não escamoso.
Após a aprovação pela Anvisa, o telisotuzumabe vedotina precisa passar pelo processo de avaliação de preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que pode levar até o primeiro semestre de 2027 para ser finalizado. Vale destacar que a inclusão do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS) não é automática, exigindo uma avaliação adicional pela Conitec para sua disponibilização na rede pública.




