sábado, 31/10/2026

Cerca de 30% dos adultos nas capitais apresentam sintomas de insônia, e especialistas destacam os potenciais riscos à saúde.

Às 4h12 da manhã, Patrick, um homem de 35 anos, se vê acordado, lutando contra a insônia, um problema que afeta não apenas seu sono, mas também sua vida profissional e bem-estar geral. Ele…

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Às 4h12 da manhã, Patrick, um homem de 35 anos, se vê acordado, lutando contra a insônia, um problema que afeta não apenas seu sono, mas também sua vida profissional e bem-estar geral. Ele é um entre milhões de brasileiros que enfrentam essa condição, que, segundo especialistas, pode elevar o risco de doenças graves como problemas cardiovasculares, AVC e demência.

A insônia, que atinge cerca de um terço dos adultos nas capitais do Brasil, é caracterizada por dificuldades em iniciar ou manter o sono, acompanhadas de cansaço e prejuízos nas atividades cotidianas. A recomendação médica é clara: se os sintomas persistirem por pelo menos três vezes na semana durante três meses, é fundamental buscar tratamento especializado.

Para Patrick, que atua na reabilitação física de idosos, as noites em claro têm sido exaustivas. “Quando chega perto da hora de me levantar, a situação se agrava; fico observando o relógio, ansioso para não perder tempo de descanso”, relata ele, lembrando de um episódio em que seu cansaço quase comprometeu a segurança de um paciente.

Vitória, uma artista plástica de 30 anos, também convive com a insônia desde a infância. Para ela, a falta de sono impacta diretamente seu humor e disposição ao longo do dia. “Às vezes, quando acordo no meio da noite, minha mente não para. Começo a pensar nas coisas que deixei de fazer”, conta, descrevendo a frustração de ser incapaz de retornar ao sono.

Os especialistas atribuem parte do aumento da insônia ao estilo de vida contemporâneo. A exposição intensa a luzes artificiais e telas eletrônicas confunde o relógio biológico do corpo, que deveria estar se preparando para o descanso. Essa atividade mental excessiva, especialmente à noite, mantém o cérebro em estado de alerta, dificultando a chegada do sono.

Após avaliar Patrick e Vitória, o psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da USP, indicou a necessidade de tratamento comportamental. Ele enfatiza que, em muitos casos, a medicação não deve ser a primeira opção, sendo as técnicas comportamentais prioritárias na abordagem da insônia.

Nos dez dias seguintes, ambos seguiram orientações práticas, como evitar telas antes de dormir e manter horários regulares para acordar. Vitória destacou a importância de despertar sempre no mesmo horário, enquanto Patrick foi encaminhado para terapia cognitivo-comportamental, um método reconhecido para lidar com problemas de sono.

A ciência também tem avançado na compreensão dos efeitos da privação de sono. Durante o sono profundo, o cérebro realiza uma ‘faxina’ essencial, removendo toxinas acumuladas. A falta de sono recorrente compromete esse processo, aumentando o risco de doenças neurodegenerativas e problemas cardiovasculares, como alertou o neurologista Diego Carvalho.

Após o acompanhamento, Patrick e Vitória notaram melhorias significativas. Vitória sentiu um aumento na disposição, enquanto Patrick se sentiu mais esperançoso em conseguir dormir melhor sem a dependência de medicamentos. Os especialistas apontam que a insônia deve ser tratada com seriedade e que o acesso a ajuda, incluindo o SUS, é fundamental. Dormir bem não é um luxo; é uma necessidade vital para a saúde integral do corpo e da mente.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — PIRO4D (pixabay)