O desejo de formar uma família tem levado muitos brasileiros a cruzar fronteiras em busca de alternativas de reprodução assistida. Impedidos por um cenário legislativo restritivo, pais e mães em potencial estão recorrendo a tratamentos no exterior, onde a medicina reprodutiva oferece opções como fertilização in vitro, ovodoação e gestação por substituição, com um arcabouço legal mais favorável.
No Brasil, a gestação por substituição, popularmente chamada de “barriga de aluguel”, é cercada por normas do Conselho Federal de Medicina que limitam as possibilidades. O processo exige que a mulher que irá gestar tenha pelo menos um filho vivo e que mantenha laços familiares com um dos futuros pais. Isso faz com que muitos optem por países como Colômbia e EUA, onde a legislação é mais flexível e oferece maior segurança jurídica.
O mineiro L.M, de 46 anos, é um dos que buscaram esse caminho. Ele encontrou na Colômbia a solução para realizar seu sonho de paternidade, tendo dois filhos nascidos lá. “A legislação brasileira não me oferecia uma alternativa viável, e eu precisava garantir que meus filhos tivessem a documentação correta”, explica, ressaltando a importância da legalidade e do reconhecimento como pai.
A advogada Larissa Mocelim, especializada em reprodução assistida, destaca que o custo e a estrutura jurídica variam de acordo com o país escolhido. “Não se trata apenas de facilidade, mas de um sistema que proporciona previsibilidade. É fundamental entender as leis locais e os contratos envolvidos”, alerta. Nos Estados Unidos, onde a demanda é alta, os custos podem ultrapassar os US$ 200 mil, enquanto na Colômbia o valor médio gira em torno de US$ 80 mil.
O perfil dos brasileiros que buscam esses tratamentos é bastante diverso, abrangendo casais homoafetivos, pessoas que enfrentam dificuldades de fertilidade e aqueles que optaram por adiar a parentalidade. A faixa etária predominante é, geralmente, de 35 anos ou mais, refletindo as expectativas e os desafios enfrentados por muitos ao longo de suas jornadas de reprodução assistida.
A experiência de T.M, de 50 anos, ilustra bem essa busca. Após várias tentativas frustradas, ela decidiu buscar a gestação por substituição nos Estados Unidos, onde encontrou não apenas o suporte médico, mas também a segurança jurídica necessária para trazer sua filha ao mundo. “Procurei um contexto que me proporcionasse o máximo de segurança e amparo em todo o processo”, enfatiza.
Enquanto isso, o cenário continua a evoluir, com países como a Geórgia emergindo como novas alternativas para os brasileiros que enfrentam a burocracia e as limitações do sistema nacional. A busca por um sonho de família, portanto, se transforma em uma jornada internacional, marcada pela esperança e pela determinação de superar barreiras legais e sociais.




