Um novo estudo internacional traz esperança renovada para pacientes com doenças hepáticas graves que já enfrentam falhas em outros órgãos. Comprovando que o transplante de fígado pode aumentar significativamente a sobrevida, a pesquisa envolveu 63 centros de quatro continentes, incluindo três no Brasil. O Hospital das Clínicas de São Paulo, um dos protagonistas do estudo, participou com 99 dos 612 transplantes realizados globalmente, dando vida ao projeto denominado “Chance”.
Os casos de Maria do Carmo Pereira da Silva e Moisés de Sousa Carrilho ilustram bem a urgência e a relevância dessa descoberta. Ambos enfrentaram cirroses devastadoras que não apenas comprometeram seus fígados, mas também afetaram rins e outros órgãos vitais. Maria do Carmo, aposentada, relembra a dor e a dificuldade de se mover, enquanto Moisés, aos 53 anos, se viu diante da iminência da morte até que a possibilidade de um transplante se apresentou como uma luz no fim do túnel.
Antes do avanço desse estudo, muitos pacientes em estado crítico eram considerados inapto para transplantes, o que os condenava a uma curta expectativa de vida. Alberto Queiroz Farias, professor da Divisão de Gastroenterologia e Hepatologia Clínica do HCFMUSP, explica que a chance de recuperação para esses pacientes era mínima, mas a nova pesquisa demonstrou que, mesmo com a falência de dois a três órgãos, a taxa de sobrevida após o transplante pode ultrapassar 80% — um salto impressionante em comparação aos 10% a 20% anteriores.
Além da recuperação do fígado, os transplantes têm mostrado capacidade de restaurar a função dos outros órgãos afetados, oferecendo uma nova perspectiva de vida aos pacientes. A batalha atual dos médicos é aumentar o número de doadores, já que quase 50 mil pessoas estão na lista de espera, e mais de 2,3 mil delas necessitam de um novo fígado.
Maria do Carmo, que passou pelo transplante há quatro anos e participou do estudo, agora desfruta das pequenas coisas da vida, como cuidar de sua gatinha e viajar. Moisés, que recebeu um fígado novo em 2 de outubro, está determinado a superar a hepatite C e expressa sua gratidão ao médico que o ajudou, reconhecendo a importância de sua nova chance.
Esse avanço na medicina não apenas transforma a vida de pacientes como Maria do Carmo e Moisés, mas também sublinha a necessidade de uma maior conscientização sobre a importância da doação de órgãos e os cuidados necessários em UTIs para que mais vidas possam ser salvas.
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