sábado, 31/10/2026

Médicos investigam relação entre convulsões menstruais e possível endometriose cerebral em paciente

Em um caso intrigante e pouco comum, pesquisadores da Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa, na Romênia, publicaram um estudo sobre uma mulher que experimentou crises epilépticas associadas ao ciclo menstrual, levando…

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Em um caso intrigante e pouco comum, pesquisadores da Universidade de Medicina e Farmácia Grigore T. Popa, na Romênia, publicaram um estudo sobre uma mulher que experimentou crises epilépticas associadas ao ciclo menstrual, levando à suspeita de endometriose cerebral. Ao longo de sete anos, a paciente, que não apresentava histórico familiar de epilepsia e sem sintomas típicos de endometriose, registrou convulsões que ocorriam exclusivamente durante seu período menstrual.

A investigação começou após a primeira crise em fevereiro de 2019, que levou a paciente a buscar ajuda médica apenas seis meses depois. A ressonância magnética realizada em agosto daquele ano revelou uma lesão no hipocampo, área crucial para a memória e a atividade epiléptica. Apesar da lesão, os exames não conseguiram identificar a causa das convulsões, levando a uma série de especulações, incluindo a possibilidade de um tumor ou uma má-formação cerebral.

Com o tempo, a relação entre as crises e o ciclo menstrual se tornou mais evidente. Em 2021, após iniciar um tratamento hormonal, as convulsões cessaram, e em março de 2026, uma nova ressonância não mostrava mais a lesão no hipocampo. Essa resposta positiva ao tratamento hormonal levantou a hipótese de que a paciente poderia ter endometriose cerebral, uma condição ainda pouco compreendida e raramente diagnosticada.

A endometriose é caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, e sua manifestação no cérebro é considerada extremamente rara. Os autores do estudo enfatizam que, embora a melhora dos sintomas após o tratamento hormonal seja promissora, a ausência de biópsia impede uma confirmação definitiva do diagnóstico. Assim, o termo “presumido” é usado em relação à endometriose cerebral, uma vez que não houve coleta de tecido para análise.

Os especialistas ainda debatem a origem do tecido endometrial no cérebro. Hipóteses incluem a migração de células endometriais pelo sistema circulatório ou linfático, ou mesmo a transformação de células de outros tecidos em células semelhantes ao endométrio. Apesar da melhora da paciente, os médicos ressaltam a necessidade de cautela, já que a melhora poderia ser atribuída apenas à flutuação hormonal natural.

Este caso serve como um alerta para a comunidade médica sobre a importância de investigar a relação entre convulsões e o ciclo menstrual. Os autores concluem que, embora o relato não deva ser visto como um indicativo de que a endometriose cerebral seja uma condição comum, ele destaca a relevância de considerar tratamentos hormonais em pacientes que apresentam crises epilépticas com padrão cíclico.