sábado, 31/10/2026

Pacientes em tratamento com Ozempic e Wegovy buscam suplementos para minimizar efeitos colaterais; saiba mais sobre os riscos envolvidos.

Os medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, têm se tornado uma verdadeira revolução no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, prometendo não apenas perda de peso, mas também uma redução…

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Os medicamentos à base de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, têm se tornado uma verdadeira revolução no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, prometendo não apenas perda de peso, mas também uma redução significativa no risco de doenças cardíacas. No entanto, a enfermeira Allison Vecchio, de 42 anos, compartilha uma experiência que revela um lado menos glamouroso dessa inovação: os severos efeitos colaterais, como desconforto gastrointestinal e fraqueza intensa, que a levaram a buscar alternativas.

Com um custo mensal que varia de US$ 200 a US$ 300, Vecchio implementou um regime de suplementos que inclui fibras, colágeno e eletrólitos, afirmando que essa combinação a ajudou a lidar melhor com os efeitos adversos dos medicamentos. “É preciso realmente assumir o controle”, enfatiza, destacando a necessidade de não apenas perder peso, mas também de promover uma melhora na saúde geral.

O crescente número de usuários de GLP-1 nos Estados Unidos, que deve saltar de 10 milhões para 25 milhões até 2030, conforme previsão do JPMorgan, traz à tona uma questão relevante: a busca por suplementos alimentares, que já ultrapassam a marca de US$ 74 bilhões em vendas. Essa demanda crescente, impulsionada em parte pelas redes sociais, levanta preocupações entre especialistas sobre a regulamentação e a segurança dos produtos disponíveis no mercado.

A falta de aprovação prévia da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) cria um cenário complicado, onde a veracidade das alegações sobre suplementos pode ser questionada. Rob Fried, CEO da Niagen Bioscience, alerta para o papel dos influenciadores nas redes sociais, que frequentemente promovem produtos sem garantias científicas, o que pode enganar os consumidores.

Influenciadores como Vecchio, que possui 25 mil seguidores no TikTok, e Terri Hart, de Pittsburg, que conta com mais de 12 mil, utilizam suas plataformas para compartilhar experiências e promover suplementos que acreditam ter benefícios. Hart, por exemplo, relata que os suplementos ajudaram a aliviar sintomas desagradáveis após o início do tratamento com GLP-1, embora reconheça que não é uma profissional de saúde. “Eu estabeleço minha autoridade por meio da minha experiência de vida”, explica.

O fenômeno dos suplementos no TikTok Shop, que gerou mais de US$ 1 bilhão em vendas em 2025, reflete uma tendência crescente entre consumidores que buscam respostas e alívio para os efeitos colaterais dos medicamentos. No entanto, a falta de regulamentação deixa muitos consumidores no escuro sobre o que realmente estão ingerindo. Jonathan Bonnet, professor da Stanford, alerta: “Se você não consegue saber o que está tomando, é difícil saber quais riscos está correndo”.

Uma pesquisa recente indica que quase metade dos usuários de GLP-1 começou a tomar novos suplementos após o início do tratamento, com probióticos e proteínas entre os mais populares. A busca por saúde e bem-estar, embora legítima, levanta a necessidade de um olhar crítico sobre as escolhas que estamos fazendo em um mercado repleto de promessas e pouca supervisão.

Crédito da imagem: Adobe Stock