sábado, 31/10/2026

Prefeitura de SP implementa novo protocolo de atendimento a emergências esportivas 79 dias após falecimento de corredor

A Prefeitura de São Paulo deu um passo significativo em direção à segurança dos atletas ao publicar o Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua. O documento, que será implementado a…

Compartilhe:

A Prefeitura de São Paulo deu um passo significativo em direção à segurança dos atletas ao publicar o Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua. O documento, que será implementado a partir de 12 de dezembro, estabelece diretrizes rigorosas para o atendimento médico durante as competições na capital, um movimento que surge em resposta à trágica morte do publicitário e corredor amador Júlio Barreto, que faleceu após a SP City Marathon em julho deste ano.

O protocolo, que foi divulgado no Diário Oficial do Município, inclui medidas essenciais como a distribuição de desfibriladores ao longo do percurso e a definição de intervalos máximos para o atendimento médico, variando de acordo com a classificação de risco da corrida. Essa classificação leva em consideração fatores como o número de participantes, condições climáticas e histórico de ocorrências em edições anteriores, refletindo uma abordagem mais abrangente e cuidadosa em relação à saúde dos corredores.

O médico Miguel Carvalho Santacreu, que estava presente na prova fatídica, expressou sua indignação sobre a demora no atendimento emergencial. Em um relato contundente, ele destacou que os primeiros socorros foram prestados por médicos que também participavam da corrida, enquanto a ambulância da organização demorou a chegar e se apresentou sem desfibrilador. Este incidente evidenciou a necessidade urgente de um protocolo que assegure a prontidão e a eficácia do atendimento médico em eventos esportivos.

Entre as principais inovações do novo protocolo, está a criação de uma classificação de risco que categoriza os eventos em quatro níveis: baixo, médio, alto e risco especial. Cada nível determina a estrutura mínima de atendimento, com exigências que aumentam conforme a complexidade e os riscos associados à prova. Para eventos com mais de 10 mil participantes, por exemplo, a estrutura médica deve ser significativamente ampliada, refletindo a responsabilidade das organizadoras em garantir a segurança dos atletas.

Além da estrutura de atendimento, o protocolo também detalha a necessidade de monitoramento das condições climáticas, especialmente em relação ao calor, que pode representar um risco adicional para os corredores. As recomendações incluem ajustes na operação do evento e até mesmo a possibilidade de adiamento ou cancelamento se as temperaturas ultrapassarem limites críticos.

A fiscalização do cumprimento dessas novas normas ficará a cargo da Secretaria Municipal da Saúde, que terá a responsabilidade de garantir que todas as corridas atendam aos padrões estabelecidos. A criação da categoria de “eventos sentinela” é uma das medidas que visam não apenas a prevenção, mas também a análise de incidentes graves, como paradas cardiorrespiratórias e falhas operacionais.

Com essas diretrizes, a Prefeitura de São Paulo busca não apenas melhorar a resposta médica durante as corridas, mas também estabelecer um padrão de segurança que priorize a vida e a saúde dos atletas. O novo protocolo é um reflexo da necessidade de aprender com tragédias passadas e garantir que a prática esportiva seja cada vez mais segura e responsável.

Crédito da imagem: Imagem feita durante a corrida de São Silvestre