sábado, 31/10/2026

Temas relevantes como SUS, educação matemática, crise climática e vulnerabilidade social foram negligenciados nas campanhas eleitorais.

As eleições presidenciais de 2026 trouxeram à tona propostas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, curiosamente, questões fundamentais para o futuro do Brasil foram deixadas de…

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As eleições presidenciais de 2026 trouxeram à tona propostas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas, curiosamente, questões fundamentais para o futuro do Brasil foram deixadas de lado. Apesar de ambos os candidatos apresentarem visões para o país, temas cruciais como saúde, educação e proteção ambiental tiveram pouca ou nenhuma ênfase nas campanhas, segundo especialistas que analisaram os debates e as propostas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um dos assuntos mais negligenciados foi o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS), que, apesar de ser um direito garantido pela Constituição, não teve espaço nas discussões eleitorais. Com o envelhecimento da população, o SUS enfrentará um aumento significativo na demanda por serviços, o que exigirá uma revisão urgente de recursos e políticas. O professor da FGV, Rudi Rocha, alerta que a gestão eficiente do sistema é crucial para garantir cuidados adequados à população, especialmente em um cenário onde os gastos com saúde devem aumentar de 9,7% para 12,5% do PIB até 2060.

A educação, especialmente o ensino de matemática, também ficou ausente da pauta. Estudo recente revelou que, enquanto a aprendizagem em língua portuguesa melhorou, a matemática estagnou, deixando quase 60% dos estudantes do ensino médio com desempenho abaixo do básico. Priscila Cruz, do Todos pela Educação, destaca a importância de uma formação docente adequada e de iniciar o ensino da matemática desde os primeiros anos escolares para reverter esse quadro alarmante.

No campo ambiental, o fenômeno climático El Niño, que pode intensificar eventos climáticos extremos, não recebeu a atenção devida. Com projeções indicando que o Brasil pode sofrer com secas e enchentes severas, especialistas apontam a necessidade de políticas públicas eficazes para mitigar os impactos dessas mudanças. O climatologista Carlos Nobre enfatiza a urgência de preparar as cidades para desastres naturais, ressaltando que milhões de brasileiros vivem em áreas de risco.

Por último, a questão da população em situação de rua foi praticamente ignorada. Com mais de 390 mil indivíduos nessa situação, conforme dados do Ipea, a falta de políticas específicas e a invisibilidade deste grupo social evidenciam um vácuo institucional. Análises dos programas de governo dos candidatos revelam que, enquanto Lula inclui propostas para apoiar populações vulnerabilizadas, Bolsonaro não apresenta iniciativas claras nesse sentido. Marco Natalino, especialista em Políticas Públicas, enfatiza a necessidade de discutir o tema independentemente do resultado das eleições, ressaltando que cuidar da população em situação de rua é uma responsabilidade social e econômica que não pode ser ignorada.

Crédito da imagem: Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao debate da Globo