terça-feira, 03/11/2026

Morte de criança por sarampo em Nova York marca retorno da doença após mais de três décadas sem óbitos no estado

O Condado de Lewis, localizado no norte de Nova York, registrou a primeira morte por sarampo no estado em mais de três décadas, somando-se a um alarmante total de seis óbitos pela doença nos…

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O Condado de Lewis, localizado no norte de Nova York, registrou a primeira morte por sarampo no estado em mais de três décadas, somando-se a um alarmante total de seis óbitos pela doença nos Estados Unidos em 2026. Este triste marco ressalta um retrocesso significativo na saúde pública, com os EUA enfrentando o surto mais grave de sarampo desde 1992, quando também foram registradas pelo menos quatro mortes.

A morte da criança ocorreu apenas quatro semanas após a declaração de emergência do estado, em resposta ao surto que afeta não apenas Nova York, mas também áreas vizinhas. Até agora, foram contabilizados 178 casos de sarampo em 2026, com oito ocorrências na cidade de Nova York. Em todo o país, os números são alarmantes: 4.852 casos foram reportados até agora, um aumento considerável em relação aos 2.289 do ano anterior.

Embora os dados indiquem um número elevado de mortes, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) reconhece apenas três delas como vinculadas diretamente ao sarampo. Essa discrepância surge após críticas de figuras proeminentes, como Robert F. Kennedy Jr., secretário de saúde e opositor da vacina MMR. A pressão sobre o CDC levantou questões sobre a relação entre as mortes e a imunização, refletindo uma polarização crescente sobre a vacina.

A queda na taxa de vacinação nos Estados Unidos é uma preocupação crescente. Para garantir a proteção contra o sarampo, a cobertura vacinal deve ser superior a 95%, um patamar que assegura a imunidade coletiva. No entanto, as taxas de vacinação têm diminuído nos últimos anos, com apenas 10 dos 50 estados mantendo essa cobertura ideal, em comparação a 21 estados em 2011.

Estudos indicam que cerca de 1,7 milhão de crianças não foram vacinadas contra o sarampo nos últimos sete anos, e a saúde privada e descentralizada nos EUA contribui para a dificuldade em manter dados precisos sobre a imunização. O movimento antivacinação, reforçado por discursos infundados que associam a vacina ao autismo, tem criado uma barreira ainda maior para a adesão às vacinas, mesmo diante de surtos mortais.

Especialistas alertam que a situação atual pode levar a um cenário onde o sarampo se torne novamente endêmico, como era antes da introdução da vacina. O infectologista Peter Hotez destaca a necessidade urgente de uma reavaliação das políticas de vacinação, sugerindo que o acesso às vacinas seja facilitado para todos, independentemente da cobertura de saúde.

Além disso, a retórica política em torno da vacinação tem influenciado negativamente a percepção pública, com figuras políticas minimizando a importância da imunização e sugerindo alternativas não comprovadas. A luta contra o sarampo exige uma abordagem unificada e campanhas de conscientização, especialmente em comunidades com baixa adesão vacinal.

Enquanto os Estados Unidos enfrentam esse desafio crescente, o Brasil, apesar de sua própria luta contra a vacinação, tem conseguido controlar melhor a disseminação do sarampo graças a um sistema de saúde mais acessível e vigilante. Este contraste destaca a importância de uma resposta coordenada e eficaz para proteger a saúde pública e evitar um aumento ainda maior nos casos de doenças preveníveis.