domingo, 01/11/2026

Novo comprimido diário apresenta resultados promissores no combate ao câncer mais letal do Brasil

O câncer de pulmão avançado tem sido tradicionalmente encarado como uma doença devastadora, onde o diagnóstico frequentemente significava um prazo de vida curto. Contudo, novas pesquisas estão redesenhando esse cenário, mostrando que um simples…

Compartilhe:

O câncer de pulmão avançado tem sido tradicionalmente encarado como uma doença devastadora, onde o diagnóstico frequentemente significava um prazo de vida curto. Contudo, novas pesquisas estão redesenhando esse cenário, mostrando que um simples comprimido diário pode alterar drasticamente a trajetória de vida de muitos pacientes. Em um estudo recente, mais da metade dos pacientes tratados com lorlatinibe, um medicamento inovador, conseguiu ficar sete anos sem a progressão da doença.

O lorlatinibe é indicado exclusivamente para aqueles cuja condição é impulsionada por uma mutação genética específica, o rearranjo do gene ALK, que afeta entre 3% e 7% dos casos de câncer de pulmão. Apesar de sua abrangência limitada, os resultados são impressionantes, especialmente considerando que o câncer de pulmão é o mais letal no Brasil, com cerca de 31.237 mortes anuais, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Paula Piteri, por exemplo, descobriu seu câncer aos 38 anos, após realizar um exame de rotina. Com três filhos e o desejo de um futuro promissor, o diagnóstico foi um choque. Desde o início do tratamento com lorlatinibe, Paula relata ter recuperado a esperança e a perspectiva de vida que parecia perdida.

No entanto, o entusiasmo em torno do lorlatinibe é ofuscado por uma realidade dura: seu custo exorbitante, que gira em torno de R$ 37 mil por mês, aliado à falta de disponibilidade no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso significa que muitos pacientes que necessitam do medicamento dependem de planos de saúde ou batalhas legais para conseguir acesso ao tratamento.

A terapia-alvo, como é o caso do lorlatinibe, representa uma mudança significativa na abordagem do câncer. Em vez de seguir protocolos rígidos baseados no tipo de câncer, a medicina moderna agora investe em tratamentos que atacam especificamente as mutações genéticas do tumor, aumentando assim as chances de sucesso no tratamento.

O oncologista Gustavo Schvartsman destaca que a evolução dos tratamentos oncológicos deve ser celebrada. Historicamente, pacientes não costumavam viver mais de cinco anos sem progressão da doença. Agora, com os avanços nas terapias, essa expectativa aumentou consideravelmente.

Apesar dos resultados positivos, especialistas como Stephen Stefani e Matheus Henrique Dias alertam para a necessidade de investigar os 45% de pacientes que não responderam ao tratamento. Além disso, os efeitos colaterais, que afetam a qualidade de vida dos pacientes, não podem ser ignorados, uma vez que 52% relataram problemas no sistema nervoso central.

A questão do acesso ao diagnóstico molecular e ao tratamento ainda é um obstáculo significativo. Sem os testes genéticos adequados, muitos pacientes não conseguem identificar a mutação ALK e, portanto, não têm acesso ao tratamento que poderia salvar suas vidas. O alto custo do lorlatinibe também impede que ele seja incorporado ao SUS, mesmo após discussões na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).

Enquanto isso, pacientes como Paula continuam a lutar por suas vidas e por um futuro, ancorando suas esperanças nas inovações científicas, que, embora promissoras, ainda enfrentam barreiras significativas para se tornarem amplamente acessíveis.