Na última segunda-feira (2), o futebol espanhol foi abalado por uma tragédia. O atacante Jesús de Miguel, de 30 anos, do Tenerife, sofreu uma parada cardíaca após colidir violentamente com o goleiro do time adversário. Embora tenha recebido atendimento imediato e sido reanimado em campo, sua morte foi confirmada na manhã de terça-feira (3), deixando uma sombra sobre o esporte.
Especialistas apontam que a causa da morte pode estar relacionada ao fenômeno conhecido como commotio cordis, que ocorre quando um impacto súbito no tórax provoca arritmias e pode culminar em parada cardíaca. Antonio Carlos Avanza, presidente do Departamento de Ergometria da Sociedade Brasileira de Cardiologia, destacou que mesmo uma pancada aparentemente leve pode ser fatal, dependendo do momento em que ocorre no ciclo cardíaco.
O caso de Jesús de Miguel não é um evento isolado; situações semelhantes já foram registradas em esportes de contato, como o futebol americano. Em 2023, o jogador Damar Hamlin também enfrentou uma emergência médica após um choque durante uma partida da NFL, levantando discussões sobre segurança e saúde dos atletas em esportes de alto risco.
A rapidez no atendimento é crucial em casos de parada cardíaca. Avanza ressalta que o socorro deve ser prestado em até três minutos para evitar danos neurológicos irreversíveis. Infelizmente, a condição neurológica de Jesús se deteriorou enquanto estava sob cuidados médicos, levando à sua morte.
Além do risco de danos neurológicos devido à falta de oxigênio, os especialistas consideram também a possibilidade de uma lesão estrutural no coração, conhecida como contusio cordis. Essa condição pode resultar em hemorragias e necrose do músculo cardíaco devido a um trauma direto. A combinação de lesões elétricas e estruturais pode ter contribuído para a gravidade do caso de Jesús de Miguel, suscitando uma reflexão sobre a segurança dos atletas em campo.



